segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Catequese do Papa Bento XVI - A fé de Maria


Queridos irmãos e irmãs,

No caminho do Advento a Virgem Maria ocupa um lugar particular como aquela que de modo único esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje, gostaria de refletir brevemente convosco sobre a fé de Maria a partir do grande mistério da Anunciação.

Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou”, “Alegra-te, cheia de graça: o Senhor é convosco” (Lc 1, 28). São estas as palavras – reportadas pelo evangelista Lucas – com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista, o termo chaîre, “alegra-te”, parece uma saudação normal, como era usual no âmbito grego, mas esta palavra se lida a partir da tradição bíblica, adquire um significado muito mais profundo. Este mesmo termo está presente quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como anúncio de alegria pela vinda do Messias (cfr Sof 3,14; Gl 2,21; Zc 9,9; Lam 4,21). A saudação do anjo a Maria é também um convite à alegria, a uma alegria profunda, anuncia o fim da tristeza que há no mundo diante das limitações da vida, do sofrimento, da morte, da maldade, da escuridão do mal que parece obscurecer a luz da bondade divina. É uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.

Mas por que Maria é convidada a alegrar-se deste modo? A resposta está na segunda parte da saudação: “o Senhor está convosco”. Também aqui para compreender bem o sentido da expressão devemos dirigir-nos ao Antigo Testamento. No Livro de Sofonias encontramos esta expressão “Alegra-te, filha de Sião... Rei de Israel é o Senhor em meio a ti... O Senhor, teu Deus, em meio a ti é um salvador poderoso” (3,14-17). Nestas palavras há uma dupla promessa feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como Salvador e habitará em meio ao seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exatamente esta promessa: Maria é identificada com o povo escolhido por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; nela se cumpre a esperada vinda definitiva de Deus, nela toma morada o Deus vivente.

Na saudação do anjo, Maria é chamada “cheia de graça”; em grego o termo “graça”, charis, tem a mesma raiz linguística da palavra “alegria”. Também nesta expressão esclarece-se a fonte de alegria de Maria: a alegria provém da graça, provém, isso é da comunhão com Deus, do ter uma conexão tão vital com Ele, de ser morada do Espírito Santo, totalmente moldada pela ação de Deus. Maria é a criatura que de modo único abriu a porta a seu Criador, colocou-se em suas mãos, sem limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; está em atitude de escuta, atenta a acolher os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida em uma história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o cerne da sua existência. E se submete livremente à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé.

O Evangelista Lucas narra a história de Maria por meio de um fino paralelismo com a história de Abraão. Como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu ao chamado de Deus a sair da terra onde morava, da sua segurança, para iniciar o caminho para uma terra desconhecida e possuindo somente a promessa divina, assim Maria confia com plena confiança na palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus e se torna modelo e mãe de todos os crentes.
Gostaria de destacar um outro aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua ação na fé inclui também o elemento das trevas. A relação do ser humano com Deus não apaga a distância entre o Criador e a criatura, não elimina o que afirma o apóstolo Paulo frente à profundidade da sabedoria de Deus: “Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos” (Rm 11,33). Mas propriamente aquele que – como Maria – está aberto de modo total a Deus, vem a aceitar a vontade divina, também se é misterioso, também se sempre não corresponde ao próprio querer e é uma espada que transpassa a alma, como profeticamente dirá o velho Simeão a Maria, no momento no qual Jesus é apresentado no Templo (cfr Lc 2,35). O caminho de fé de Abraão compreende o momento de alegria pela doação do filho Isaac, mas também o momento de treva, quando precisa ir para o monte Maria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que havia acabado de lhe dar. No monte o anjo lhe ordena: “Não estenda a mão contra o menino e não lhe faça nada! Agora sei que tu temes a Deus e não me recusaste o teu filho, o teu unigênito” (Gen 22, 12); a plena confiança de Abraão no Deus fiel às promessas não é menor mesmo quando a sua palavra é misteriosa e difícil, quase impossível, de acolher. Assim é para Maria, a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa também pelas trevas da crucificação do Filho, para poder chegar à luz da Ressurreição.

Não é diferente também para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas encontramos também momentos no qual Deus parece ausente, o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós queremos. Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança – como Abraão e como Maria – tanto mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isso, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a luz que guia os nossos pensamentos e as nossas ações.

Gostaria de concentrar-me ainda sobre um aspecto que emerge nas histórias sobre a Infância de Jesus narrada por São Lucas. Maria e José levam o filho a Jerusalém, ao Templo, para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor como prescreve a lei de Moisés: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” (cfr Lc 2,22-24). Este gesto da Sagrada Família adquire um sentido ainda mais profundo se o lemos à luz da ciência evangélica de Jesus aos 12 anos, depois de três dias de busca, é encontrado no Templo a discutir entre os mestres. As palavras cheias de preocupação de Maria e José: “Filho, por que nos fez isso? Teu pai e eu, angustiados, te procurávamos”, corresponde à misteriosa resposta de Jesus: “Por que me procuráveis”? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? (Lc 2,48-49). Isso é, na propriedade do Pai, na casa do Pai, como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com a qual disse “sim” na Anunciação; deve aceitar que na precedência havia o Pai verdadeiro e próprio de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou para que siga a sua missão. E o “sim” de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de toda a sua vida, até o momento mais difícil, aquele da Cruz.

Diante de tudo isso, podemos nos perguntar: como pode viver Maria este caminho ao lado do Filho com uma fé tão forte, também nas trevas, sem perder a plena confiança na ação de Deus? Há uma atitude de fundo que Maria assume diante a isso que vem na sua vida. Na Anunciação Ela permanece perturbada escutando as palavras do anjo – é o temor que o homem experimenta quando é tocado pela proximidade de Deus - , mas não é a atitude  de quem tem medo diante disso que Deus pode querer. Maria reflete, interroga-se sobre o significado de tal saudação (cfr Lc 1,29). O termo grego usado no Evangelho para definir este “refletir”, "dielogizeto", refere-se à raiz da palavra “diálogo”. Isto significa que Maria entra em íntimo diálogo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas se concentra, a deixa penetrar na sua mente e no seu coração para compreender isso que o Senhor quer dela, o sentido do anúncio. Um outro aceno para a atitude interior de Maria frente à ação de Deus o encontramos sempre no Evangelho de São Lucas, no momento do nascimento de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19); em grego o termo é symballon, poderíamos dizer que Ela “tinha junto”, “colocava junto” no seu coração todos os eventos que estavam acontecendo; colocava cada elemento, cada palavra, cada fato dentro de tudo e o comparava, o conservava, reconhecendo que tudo provém da vontade de Deus. Maria não para em uma primeira compreensão superficial disso que acontece na sua vida, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se levar pelos acontecimentos, os elabora, os discerne, e adquire aquela compreensão que somente a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si também aquilo que não compreende do agir de Deus, deixando que seja Deus a abrir a mente e o coração. “Bem aventurada aquela que acreditou no cumprimento da palavra do Senhor” (Lc 1,45), exclama a parente Isabel. É propriamente pela sua fé que todas as gerações a chamarão bem aventurada.

Queridos amigos, a solenidade do Natal do Senhor que em breve celebraremos, convida-nos a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece em uma cidade famosa, em um suntuoso palácio, mas toma morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de um menino. A onipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, sempre silenciosa, da verdade e do amor. A fé nos diz, então, que o poder indefeso daquele Menino no fim vence o rumor dos poderes do mundo. 
Papa Bento XVI


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

"Fim do Mundo"


E se o mundo acabasse mesmo em 21 de dezembro? 

Há uma falsa profecia maia sobre o “fim do mundo” em 21/12/2012, o que gera um alarmismo danoso e um verdadeiro terrorismo espiritual para algumas pessoas. São “profecias” falsas, que tentam até misturar argumentos pseudocientíficos com superstições, Nova Era e ficção cientifica. Até mesmo o Terceiro Segredo de Fátima, que nada tem a ver com o fim do mundo, e que o Papa João Paulo II já revelou em 2000 em Fátima; é citado abusivamente. Os divulgadores desse fim do mundo para o dia 21/12/2012 usam "argumentos científicos", falam de Profecias  que até a NASA já desmentiu. Ninguém sabe a época e a data do fim do mundo, ou melhor, da renovação do mundo.

Jesus fala em fim do mundo como “renovação do mundo”: Mt 19,28 - “No dia da renovação do mundo, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da glória...”

Com relação à data em que acontecerá a renovação do mundo e a inauguração definitiva do Reino de Deus, ninguém sabe e não deve especular a respeito. Muitos se enganaram sobre isto e levaram muitos outros ao engano e ao desespero. Até grandes santos da Igreja erraram neste ponto. Podemos citar alguns exemplos: S. Hipólito de Roma (†235); Santo Irineu (†202); Santo Ambrósio (†397) e S. Hilário de Poitres (†367). S. Gaudêncio de Bréscia (†405) - indicava o ano 7000 após a criação.
Por isso a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra:

At 1,7 - “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”.

Mc 13,32 - “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”.

No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado:

“Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz:   “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada  qual  deve,  segundo  o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes,  a  paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”.

O que a Igreja sabe é o que está no Catecismo:

§670. ”Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já estamos na "última hora" (1Jo 2,18)". "Portanto, a era final do mundo já chegou para nós, e a renovação do mundo está  irrevogavelmente realizada e, de certo modo, já está antecipada nesta terra”.

§673.“A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At 1,7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há  de precedê-lo”.

Note que “esse acontecimento escatológico pode acontecer a qualquer momento”; então, devemos perguntar, estamos preparados para ele? Mesmo porque a nossa morte marcará o fim de nossa existência terrena e a definição de nossa sorte eterna. Como estamos preparados para a morte ou para a vinda do Senhor? Jesus disse que a sua vinda seria como a surpresa de um ladrão, quando menos esperamos. Quantos que você conheceu que já se foram! Jesus manda vigiar e orar sem cessar, como as virgens prudentes que carregaram óleo consigo e puderam acolher o noivo para as eternas núpcias.

Precisamos estar preparados, de dia e de noite. O que é preciso para fechar uma porta? Apenas que ela esteja aberta. O que é preciso para morrer? Apenas estar vivo. Então, preparemos uma boa morte e o nosso destino eterno na comunhão de Deus, vivendo segundo os seus Mandamentos, rejeitando e renunciando a todo pecado; alimentando a alma com a oração, a Palavra de Deus, os Sacramentos e uma vida de caridade.

Vivendo assim, não precisamos nos preocupar com a morte e nem com a data da Vinda do Senhor. Estaremos acordados, esperando com alegria o Senhor que vem para nos dar a coroa da glória.

Prof. Felipe Aquino

domingo, 2 de dezembro de 2012

Temo do Advento


O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Esse acontecimento precisa ser preparado e celebrado a cada ano. Nessas quatro semanas de preparação, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no final dos tempos
 
Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador. Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele também está marcado para logo após a morte.

Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e de Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes: nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi; seu Reino não terá fim... Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena.
 
Coroa do Advento:
 
Para nos ajudar nesta preparação usa-se a Coroa do Advento, composta por 4 velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação. Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e à medida que vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé, nossa alegria. Elas são acesas em honra do Deus que vem a nós. Deus, a grande Luz, "a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo", está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.
 
Termo:
Advento vem de adventus, vinda, chegada, próximo a 30 de novembro e termina em 24 de dezembro. Forma uma unidade com o Natal e a Epifanía. 
 
Cor:
A Liturgia neste tempo é o roxo.

Sentido:
O sentido do Advento é avivar nos fieis a espera do Senhor.

Duração:
4 semanas
  

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Paróquia de Hidrolândia já está em ritmo de festa

Nos preparativos de celebrar a Festa de sua padroeira Nossa Senhora da Conceição, nossa paróquia se prepara para mais uma reinauguração, a saber: o salão paroquial, que está por ser concluído, algumas pastorais já estão saboreando este recanto de nossa paróquia. A catequese já está usufruindo das novas salas mais confortáveis, assim como reuniões extraordinárias, tais quais a que se realizou neste último domingo dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão. Queremos aproveitar e convidar você e sua família para a reinauguração que está marcada para o dia 28 de novembro, abertura da Festa de Nossa querida Padroeira.
 
Que Nossa Senhora interceda por todos nós.
 


 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ano da Fé: Cristocentrismo e adesão à Pessoa de Jesus Cristo


Um dos conhecimentos mais básicos que nunca deve nos faltar é a certeza de que Jesus é uma Pessoa. O que isso quer dizer? Quer dizer que não se pode conceber Jesus somente como uma “Força” ou uma “Energia” sem expressão pessoal. Jesus é uma Pessoa, com quem podemos nos relacionar, que manifesta a sua Vontade em nossas vidas e participa das nossas alegrias e sofrimentos. É Alguém com quem podemos conversar e que se importa muito conosco!

A afirmação bíblica “o Verbo se fez Carne” (Jo 1, 1) é nossa grande esperança. Diz que este Deus pessoal entrou na história dos homens; que não é um Deus distante, mas próximo. O evangelista Mateus lhe chama Emanuel, uma expressão muito rica que significa “Deus Conosco”. O próprio Jesus, quando confia a missão de conduzir a Igreja os Apóstolos, declara: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mt 28, 20). Jesus é a Presença de Deus em nosso meio, todos os dias, até o fim de nossas vidas.

Jesus deve ser, para a sua vida, Deus Presente, como Ele ensinou: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9): por Cristo conhecemos Deus. Ao se fazer Carne, o Verbo Divino elevou a nossa condição humana; temos agora um caminho novo, um novo acesso à Intimidade de Deus (Hb 10, 19-20). Tudo o que podemos conhecer de Deus, Ele o revelou em Jesus Cristo.

A vida do fiel, por isso, é essencialmente “cristocêntrica”. Isto quer dizer ter Jesus como o centro e realização de toda a sua existência. Sua vida só terá sentido a partir do relacionamento com Ele, e do conhecimento cada vez mais profundo da sua Pessoa. Todos os seus planos e projetos devem ser orientados para a Pessoa de Jesus. Assim como os planetas giram ao redor do Sol, também nós devemos ter as nossas vidas iluminadas por este Sol de Amor, sendo que, em nossas órbitas, devemos cada vez mais nos aproximar de Cristo, até sermos totalmente consumidos, como declara São Paulo: “Vivo, mas não sou mais eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).

A nossa salvação é operada por Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e sempre (Heb 13, 8). Ninguém se salva em função das suas próprias forças, mas sempre graças ao Sacrifício Redentor de Jesus. E se tudo foi operado por Ele, qual a nossa parte? Nossa parte é, primeiro, estar unido a Cristo; a resposta do homem ao Mistério da Salvação é a sua adesão à Fé, como está escrito: “Se com tua boca confessas que Jesus é o Senhor, e em teu coração crês que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10, 9). 

O próprio Jesus, porém, nos dá o caminho de adesão à fé:“Quem tem os meus Mandamentos e os observa, este me ama; e quem me ama será amado por meu Pai. Eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14, 21). O caminho da santidade cristã, então, é estar unido à Pessoa Jesus Cristo eproduzir frutos nEle, como o Senhor mesmo nos ensina na Parábola da Videira (Jo 15, 5). Não basta apenas declarar a conversão, dizer que tem fé. Não basta ir à frente de uma assembleia e dizer: “Aceito Jesus como meu Salvador”... É preciso uma vida realmente convertida ao Senhor, “por dentro e por fora”, como ensina São Paulo quando diz: “Visto que ressuscitaste com Cristo, procurai o que está no Alto, onde se encontra Cristo, assentado à Direita do Pai; é no Alto que está a vossa meta, não na Terra” (Col 3, 1-4).

Dependemos dEle todos os dias; "nEle nos movemos, existimos e somos" (At 17, 28). A Pessoa de Jesus é o ponto central da nossa existência. No nosso dia a dia, essa adesão deve ganhar sentido prático e concreto numa vida de imitação a Jesus e na participação nos Sacramentos, que são Canais da Graça Divina para esta União. A vida sacramental une o fiel a Jesus de forma especial.

Essa busca de união a Cristo e de imitá-lo com sinceridade devem ser os motores a mover os cristãos em direção à santidade, com o olhar fixo naqueles que se tornaram modelos de caminhada, os santos, como também ensinou São Paulo: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1Cor 11, 1).