sábado, 28 de abril de 2012

Contemplar as próprias mãos


Nas palavras proferidas aos sacerdotes da Diocese de Sobral, Dom Odelir (nosso Bispo Diocesano) enfatiza o valor das mãos leia na íntegra uma parte de sua pregação na Missa dos Santos Óleos: Voltemos a um momento histórico e central de suas vidas: o dia de sua ordenação sacerdotal, quando o bispo que os ordenou, ungiu as suas mãos. Vocês estavam ajoelhados, atentos a observar o óleo santo que se espalhava, exalando seu perfume balsâmico e tão característico. Depois ele uniu suas mãos em posição Orante e as atou com uma fita. Suas mãos foram consagradas, fechadas para as coisas do mundo e para qualquer amor exclusivo. Vocês se levantaram, foram até seus pais, e suas mães, emocionados, desataram os laços daquela fita, abrindo suas mãos para a exclusividade de um amor que só poderia ser de Deus. Eles desataram suas mãos para batizar transmitindo às crianças a Vida de Deus, para consagrar as espécies eucarísticas, para perdoar, para abençoar as pessoas, seus pertences e realizações, para abençoar o amor matrimonial, para, enfim, ungir as mãos frágeis dos enfermos, na esperança da saúde.

Pela oração consecratória e a imposição das mãos de seu bispo, vocês se tornaram pessoas consagradas. Completando essa consagração de suas pessoas, suas mãos foram solenemente ungidas e consagradas ao serviço de Cristo e da Igreja. Fisicamente, suas mãos continuam sendo suas. Mas Cristo as tomou para Si. Espiritualmente, elas passaram a ser dele, para transmitir a Sua Vida divina, abençoando, perdoando, consagrando o corpo e o Sangue de Cristo. Vocês são os escolhidos de Cristo. Vocês são pessoas abençoadas. Vocês são chamados às alturas da santidade.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Literartura e Vida: Casa Arrumada


Casa arrumada  é assim: Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz. Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida... Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança. Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto... Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos... E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente. Arrume a sua casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela... E reconhecer nela o seu lugar. 
Boa Semana!
Carlos Drummond de Andrade(1902-1987)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Assembleia da CNBB


Concílio Vaticano II continua atual, diz Dom Geraldo

Meio século de existência e uma aplicabilidade valiosa para cristãos de todos os tempos, inclusive os da atualidade. É assim que a Igreja vê o Concílio Vaticano II, que também está sendo pauta de discussão na 50ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O encontro, que está sendo realizado em Aparecida (SP) desde dia 18 de abril, termina na próxima quinta-feira, 26, e traz como tema central “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Nesta segunda-feira, 23, os bispos participam às 18h de uma cerimônia pelo jubileu de 50 anos do Concílio Vaticano II.
Mesmo após 50 anos, o arcebispo de Mariana (MG), Dom Geraldo Lyrio Rocha, defende que o Concílio continua completamente atual. Um dos motivos é o fato dele abordar questões de fundo da vida da Igreja. “O Concílio, entre seus objetivos, pretendia, digamos assim, dinamizar a própria vida cristã. Passados 50 anos, nós vemos que muitos passos foram dados, porém muitos desafios permanecem”, explicou.
Dom Geraldo informou ainda que, no tema central que está sendo trabalhado pela Assembleia da CNBB, “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, há uma forte referência ao documento sobre a Divina Revelação, que se chama Dei verbum.
“Esses documentos vão se manifestando nas várias posições que a Igreja vai tomando. Eu diria que o Vaticano II é como um pano de fundo e um grande referencial para toda a posição que a Igreja adota em nossos dias. Basta ler os textos da CNBB que em todos eles você começa a encontrar as citações do Concílio Vaticano II”, ressaltou. 

Nova Evangelização

De acordo com  o arcebispo de Salvador (BA), Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, o Papa João Paulo II já lembrava a necessidade de se incentivar os cristãos a irem nos lugares onde é mais difícil a fé penetrar e assim levar os valores do Evangelho.
“Não basta nós vivermos esses valores sozinhos. Temos que expressá-los e condenar aquilo que vá contra os valores do Evangelho, porque quando vai contra os valores do Evangelho, vai contra a pessoa humana”, destacou Dom Murilo.
Sobre a relação entre os documentos do Concílio Vaticano II e a proposta que se tem hoje de uma nova evangelização, Dom Geraldo explicou que um dos desafios a serem vencidos hoje é atualizar a Igreja às exigências dos tempos atuais. Isso se torna mais emergencial ainda tendo em vista as grandes transformações que a sociedade vem sofrendo.
Segundo o arcebispo, os documentos vão sendo assimilados aos poucos, conforme  se exerce a prática no dia-a-dia da Igreja e da própria vida dos cristãos. Ele também destacou a importância dos fiéis retomarem esses documentos.
“Nós precisamos retomar os próprios textos do Vaticano II para ir beber dessa fonte inesgotável e nos apropriarmos dessa riqueza extraordinária que o Concílio representa. Passaram-se 50 anos, mas o Concílio Vaticano II permanece plenamente atual”, finalizou. 

Concílio Vaticano II

Realizado em 1962, o Concílio Vaticano II foi convocado pelo Papa João XXIII e marcou a promulgação da Constituição Apostólica Humane Salutis. Essa Constituição Apostólica traz um breve resumo das situações políticas, sociais, culturais e, sobretudo, religiosas que motivaram a convocação do concílio.
Quatro grandes constituições compõem os pilares do Concílio Vaticano II: a constituição sobre a Sagrada Liturgia, sobre a Revelação Divina,  sobre a Igreja e sobre a Igreja no Mundo de Hoje. A partir desses pilares, foram desdobrados nove decretos e três declarações.