sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Como nos aproximarmos da Palavra de Deus?

É necessário criar vínculo com a Palavra
Conta-se que o Imperador alemão Frederico II (+ 1250) quis saber qual era a primeira língua do mundo, aquele que utilizavam Adão e Eva no jardim do Éden. Como acreditava que todas as línguas são aprendidas por imitação, escolheu doze recém-nascidos para que fossem criados isoladamente, sem que ninguém lhes dirigisse uma palavra sequer. Deste modo, segundo o Imperador, se ninguém falasse com eles, não poderiam aprender a língua dos seus cuidadores, e o idioma “original” brotaria espontaneamente de seus lábios. Assim se fez. Os bebês eram cuidados, mas ninguém podia dirigir alguma palavra próximo a eles. O resultado foi que, gradativamente, os bebês foram morrendo um a um. Por quê? Porque lhes faltou a palavra.
Dar a palavra a alguém significa entrar em contato com essa pessoa, criar vínculos, fazer com que o outro participe de nossa própria interioridade.
Quando uma pessoa fica ferida por outra, costuma negar a esta sua palavra, e, embora esta não seja uma atitude cristã - pois o perdão que o Senhor pede que manifestemos nos leva a não excluir a ninguém do nosso amor -, tal gesto nos indica o peso que há no “dar a palavra”. 
Quando alguém nos pede que creiamos no que diz, costuma afirmar que “dá sua palavra”.
Essas breves considerações antropológicas nos ajudam a perceber o modo como Deus escolheu agir entre nós. Ele nos deu Sua Palavra. Cristo é a Palavra que se fez carne e habitou entre nós. Sua Palavra permite que conheçamos a intimidade da vida divina, cria vínculo com quem A recebe. Ele “deu Sua Palavra” para que nós acreditássemos que Ele é a verdade, para que participássemos de sua vida. Deus, com toda a força que implica este verbo, entregou Sua Palavra por nós até o extremo.
Vivemos num mundo no qual a palavra praticamente não tem valor. Estão em toda parte: nas “timelines” frenéticas de nossas redes sociais, nos anúncios publicitários, nos abundantes discursos dos políticos, dos “profissionais da fé”, e daqueles que procuram oferecer uma solução mágica para toda espécie de problemas. São tantas palavras que terminamos praticamente por desprezá-las, pensando: “não são mais que palavras”.
Um grande risco para nós seria permitir que esse clima de desvalorização da palavra permeasse a nossa relação com a Palavra feita carne. O acostumar-se com a Palavra de Deus, o pensar que já a conhecemos suficientemente, impediria a abertura necessária para que Ele possa comunicar-se conosco. Seríamos como aqueles bebês da lenda, que morreram, neste caso, não por não ouvirmos uma palavra, mas por tornar-nos impermeáveis a ela.
Estamos diante de uma Palavra que, embora próxima, não pode ser costumeira. Nossa atitude diante dela deve ser a mesma de Moisés no Horeb. Tirar as sandálias dos pés, sandálias empoeiradas pela rotina, para aproximarmo-nos com a expectativa de receber a eterna novidade de Deus.
 
 
Padre Demétrio Gomes

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Bíblia e a primavera

Deus se revela ao homem
O mês de setembro chega trazendo a primavera ao nosso hemisfério e, junto com a beleza do tempo, o tema da Sagrada Escritura. O fato de celebrarmos, no dia 30 de setembro, o dia do patrono dos estudos bíblicos, São Jerônimo, fez com que pudéssemos aprofundar esse tema durante este período. Setembro é o mês da Bíblia, sendo que, no último domingo, comemora-se o Dia Nacional da Bíblia.
A leitura orante da Bíblia ou a lectio divina aos poucos vai entrando na realidade de nosso povo, que passa a colocar a Palavra de Deus como início da reflexão que vai iluminar a realidade das pessoas. São passos que, pouco a pouco, os grupos e comunidades começam a dar, sempre em torno da Sagrada Escritura. Ela nos traz a revelação de Deus para a nossa salvação.
Na Sua misericórdia e sabedoria, quis Deus revelar-se a si mesmo a nós na pessoa de Cristo e pela unção do Espírito Santo para que tivéssemos acesso a Ele e participássemos de Sua glória.
Deus se revela ao homem e o convida a partir para uma terra desconhecida que lhe seria mostrada. Nessa caminhada, o Senhor vai se mostrando, revelando-se aos que creem e, quando é chegado o tempo, a revelação se completa em Cristo, a Palavra de Deus: "No principio era a Palavra e a Palavra estava em Deus, e a Palavra era Deus... E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,1.14).
Por Cristo, somos glorificados! E todos nós que recebemos a Palavra e nela acreditamos, tornamo-nos filhos de Deus. Esse caminho Deus faz conosco. Respeita o nosso crescimento intelectual e volitivo, seja na nossa capacidade pessoal, seja na evolução cultural do grupamento humano, de tal forma que podemos sentir em nós mesmos a caminhada do povo de Deus.
A Bíblia é o relato da manifestação do amor de Deus que, gradativamente, nos leva por Cristo, em Cristo e com Cristo à intimidade da vida divina e, como consequência, a uma nova vida, fermento de um mundo novo.
Dom Orani João Tempesta, O. Cist

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Entenda porque a Bíblia deve ter lugar de destaque na família

"A Bíblia deveria ter em cada família um lugar de destaque". A afirmação é do presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini.

No mês dedicado à Sagrada Escritura, o bispo explica que a Palavra de Deus não deve ficar em uma gaveta, mas sim em um lugar de fácil acesso. "De tal maneira que se crie pouco a pouco o hábito de chegar e ler meia página e depois, ao invés de comentar a fofoca dos artistas é muito melhor ler a Palavra de Deus".

Dom Petrini aponta dois caminhos para que a família inclua a Bíblia no seu dia a dia: o 1º é que se reúna por alguns minutos para ler 2, 3 ou 4 versículos. "Não precisa fazer grandes reuniões", destaca. Ele orienta especialmente a leitura de textos do Novo Testamento, por ter uma linguagem mais direta. O 2º é que se leia trechos do Evangelho que sejam significativos na vida do casal, como por exemplo recordar o Evangelho lido no dia do casamento. 

Para o bispo, os frutos desta prática são inúmeros. Ele chama atenção para a violência que tem crescido não só nas grandes cidades, mas também dentro de casa e afirma que a pessoa que reza tem um coração mais manso. 

"A pessoa que está ligada a Deus tem uma atitude mais amorosa, a pessoa que se alimenta da Palavra de Deus é claro que tem uma maneira mais atenta, tem mais disponibilidade para acolher, perdoar."

Para que a Palavra de Deus chegue a se tornar um ponto de referência para as famílias, Dom Petrini explica que ela deve ser ouvida, lida, mastigada e ruminada. “Aquela Palavra de Deus, suponhamos, lida durante o café, em dois minutos antes de sair de casa, ainda nos acompanha, é aí é que se torna uma luz que ilumina a inteligência, sabedoria que orienta o coração para posturas mais equilibradas no trato com as outras pessoas”. 

O bispo reconhece que os problemas enfrentados pelas famílias são grandes e que ninguém fica isento, mas defende que a sabedoria do Evangelho faz diferença.

Educação dos filhos na fé
“A educação dos filhos acontece de duas maneiras e jamais deve ser delegada, terceirizada”, defende o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família da CNBB. “A educação dos filhos, especialmente no que é mais importante, por exemplo, a fé em Jesus Cristo, é tarefa especifica dos pais”, complementa.      

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dia da Pátria e de oração pela Paz na Síria e no Oriente

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Sexta feira, dia 7, os católicos celebraremos o Dia da Independência com um coração cheio de orgulho e gratidão por pertencermos a esta terra abençoada da Santa Cruz. Data que nos chama a reflexão e ao comprometimento cívico e patriótico, pois não a honraríamos corretamente com sentimentos ufanistas ou de adesão a um nacionalismo agressivo, mas um verdadeiro amor a Pátria, exige a luta e o empenho pela conquista de uma cidadania plena para todos/as, a erradicação da miséria e a eliminação da corrupção na política e na sociedade inteira.

Nos unimos ao grito dos excluídos que trás como lema: "Juventude que ousa lutar, construtora de um projeto popular"; fazendo ecoar as manifestações que iniciaram em junho de 2013, que anseiam uma renovação estrutural no pais e na sociedade. A independência não é apenas uma data, mas um processo e uma caminhada, que nos leva a forjar e gerar entre nós, uma soberania nacional, cada vez mais forte, respeitada e integral, testemunha e sinal de uma brasilianidade autêntica e fecunda, voltada para ser entre as nações exemplo de paz, inclusão e justiça.

Mas junto a prece pela Pátria, queremos atender o apelo do Papa Francisco de na Véspera da Natividade de Maria Santíssima Rainha da Paz, fazer jejum e rezar pela paz na Síria, no Oriente Médio e no mundo inteiro. A paz depende da boa vontade de todos os membros da humanidade, de tentar resolver os conflitos pela via da negociação e do diálogo, procurando soluções justas que beneficiem a todos os envolvidos, pois a via da guerra e da violência só multiplicará a destruição e o ódio."

Peçamos a Maria nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é a mãe, que Ela nos ajude a encontrar a paz, todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a nos comprometer a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!" Deus seja louvado!

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Setembro, mês da Bíblia

Ler e meditar a Bíblia

Isso faz a diferença
É preciso ter discernimento para ler, compreender e viver a mensagem bíblica. Não se deve levar tudo ao pé da letra. O exemplo de Jesus vai muito além do que aparece na palavra escrita, pois seria muito estranho seguir a ordem dada por Jesus: "Se tua mão te escandaliza, corta-a".
Os católicos estão lendo cada vez mais a Palavra de Deus e isso tem feito a diferença. No dia a dia, somos bombardeados com mensagens bem pouco edificantes, as quais, geralmente, incentivam a violência, o egoísmo e a exploração do outro. Entretanto, podemos encontrar na Bíblia mensagens repletas de sabedoria, capazes de nos orientar, estimular sentimentos e ações que constroem uma vida de qualidade. A leitura da Bíblia traz luz e direção ao projeto de vida de cada um, introduzindo lentamente na mentalidade do homem que a lê um modo de pensar diferente da maioria das pessoas. Ele recebe mensagens novas, guiadas pela sabedoria e pela força de Deus.
Com o passar dos anos, a teologia cristã foi se afastando da Bíblia, mas, a partir do Concílio Vaticano II, no documento Dei Verbum, a Bíblia foi reconduzida ao centro da vida da Igreja. O Documento de Aparecida também apresenta uma retomada dos textos bíblicos e está repleto deles. É o novo rosto da Igreja que quer ser cada vez mais parecida com as comunidades apresentadas nos primeiros capítulos dos Atos dos Apóstolos e com aquela sonhada por João Paulo II no documento Novo Millennio Ineunte como expressão da unidade dos cristãos em Cristo.
A lei do mundo vai na contramão da lei de todo discípulo de Jesus. A todo momento, somos incentivados a aproveitar a vida de forma egoísta, vivendo o hoje sem pensar no próximo, amando apenas a nós mesmos e esquecendo-se de amar a Deus. Ouvimos todos os dias essas mensagens e, se não ouvimos ou lemos algo diferente, a lei do mundo acaba prevalecendo e nos perdemos facilmente.
Se amar Deus e o próximo é toda a lei do discípulo de Jesus, a Bíblia lembra que este é o caminho para ser um cristão de elite, bom, santo, feliz.
O que você acha que prevalecerá em sua vida: a lei de Deus ou a lei do mundo? Com certeza, aquele que assiste a qualquer programa e lê qualquer revista ficará com a lei do mundo e será mais um entre tantos anônimos.
Padre Mário Bonatti
Sacerdote Salesiano de Dom Bosco